Liderança no Mundo 4.0

As mudanças provocadas pela nova revolução industrial, chamada de 4.0, estão afetando o jeito de pensar, agir e viver! Estar fora desta sintonia pode provocar efeitos negativos para muitas empresas, acarretando, em alguns casos, a extinção de um negócio ou até mesmo da própria empresa.

A indústria 4.0 está ai! Não é mais um conceito ou mera especulação para confundir ainda mais nosso dia a dia. IoT (Internet das coisas), Inteligência Artificial, Robotização, Big Data, Sistemas em “Nuvem”, Realidade Aumentada, Segurança Cibernética, Redes Neurais, são apenas alguns dos temas que já estão sendo utilizados por muitas empresas.

Mas gostaria aqui de abordar um tema que fica por muitas vezes fora do espectro de análise deste novo mundo 4.0: O papel da LIDERANÇA.

Várias análises nos mostram que as empresas estão “sofrendo”… Tomemos como exemplo a expectativa de vida das empresas que fazem parte da lista da Fortune 500. Se em 1920 a média de expectativa de vida destas empresas era de 67 anos, agora está em apenas 15 anos. A revista Você S/A de fevereiro aborda o tema apresentando o ambiente altamente tóxico de trabalho de algumas empresas.

Se olharmos para os funcionários, chegaremos à conclusão de que estão “morrendo” nas empresas. A revista Exame de fevereiro traz em sua matéria de capa o tema relacionado ao “Esgotamento pelo Trabalho” como sendo a principal preocupação dos gestores em 2020, com impactos econômicos e sociais.

Uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos pelo Bureau of Labor Statistics, demonstrou quem em 2010, 22 milhões de trabalhadores americanos tinham intenção de deixar seus empregos. A mesma pesquisa feita em 2018 mostrou que este número quase que dobrou em 8 anos, chegando a 40 milhões de trabalhadores insatisfeitos (32% da força total de trabalho).

O que está acontecendo?

Boa parte da resposta pode estar diretamente relacionado com a Liderança! Infelizmente as ferramentas, métodos e treinamentos voltados a liderança não avançaram na mesma velocidade da revolução 4.0 que conhecemos. Ainda vivemos, em alguns casos, na idade da pedra em termos de processos de gestão de pessoas. Se algo não for feito, continuaremos a ver este filme de horror com empresas desaparecendo e funcionários infelizes.

Tudo começa pela Cultura!!!

Aqui vale explicar um pouco mais sobre Cultura Organizacional. Segundo Edgar Schein (PhD em Psiciologia Social na Universidade de Harvard), toda empresa tem 3 níveis de cultura: Os Artefatos, Crenças & Valores e os Pressupostos. Os Artefatos são o que a empresa mostra aos funcionários e clientes e que é visível aos olhos. Por exemplo o padrão dos escritórios, o Dress Code, o pacote de benefícios e assim por diante. As Crenças & Valores é como a empresa busca se apresentar ao mercado. Envolvem a Missão, Visão e Valores que ficam colocados naqueles quadros bonitos pendurados pelas salas de reunião. Finalmente temos os Pressupostos. Estes sim representam a empresa sem maquiagem, em sua verdadeira essência. E aí está o grande problema da maioria das empresas…

São estes pressupostos que ditam as regras! São as tais políticas não oficiais. Imagine como é feito um processo de promoção na empresa. Por regras claras e um sistema robusto de RH ou por indicação? Negociação com clientes e fornecedores? Tudo “by the book” ou um caminho não tão ético é aceito. Empresas que não conseguiram definir claramente sua cultura ou não tiveram capacidade de implementar uma cultura positiva, estão hoje vivendo uma cultura de pressupostos que, via de regra, tem mais aspectos negativos que positivos.

Com a cultura devidamente identificada, entra em cena o papel da Liderança no Mundo 4.0, assunto que deu início a nossa discussão. Os líderes de sua empresa serão os responsáveis por abraçar a cultura e disseminar os conceitos para toda a empresa. Por isto é fundamental que eles recebam o devido treinamento e que os valores da empresa façam sentido para eles. É preciso falar e fazer. O famoso “walk the talk”.

A liderança precisa de ajuda! Nada vai acontecer por mágica por mais que a boa vontade prevaleça. Precisam identificar quais são seus pontos fortes e quais são as oportunidades de melhoria. Neste ponto, o coaching e o processo de mentoring são fortes aliados. A “nova” liderança precisa estar focada nas “virtudes” das pessoas, precisa ser humilde! Ser humilde neste ambiente significa “ensinar” mais do que “mandar”, “inspirar” mais que “repreender”, valorizar as interações pessoais, com os funcionários, com os parceiros e com os clientes.

No seu livro “The Management Shift” de Vlatka Hlupic, é abordada a transição esperada pela liderança na busca da excelência. Cada nível (de 1 a 5) é baseado num conjunto de comportamentos e mindset que traduzem o atual momento daquele grupo de líderes. Os 3 primeiros níveis são considerados “tradicionais” e devem englobar a maior parte da liderança das empresas. Os 2 últimos níveis são os “emergentes” e trazem consigo um conjunto de valores que realmente fazem a diferença e estão na mira das empresas que buscam dar seu salto cultura. Segundo Vlatka, o nível 4 e 5 atingiram a Paixão pelo Trabalho!

Algumas frases típicas de cada um dos níveis:

Nível 1 – Sem vida / Apático: “Estou desmoralizado / Não há nada que eu possa fazer para mudar essa situação.”

Nível 2 – Relutante / Estagnado: “Estou frustrado / não faz sentido me esforçar demais”.

Nível 3 – Controlado / ordenado: “Preciso estar no controle / reluto em compartilhar informações”.

Nível 4 – Entusiasmado / Colaborativo: “Podemos conseguir grandes coisas como equipe / respeito a mim e aos outros.”

Nível 5 – Ilimitado / Sem Limites: “Eu inspiro outras pessoas a alcançarem seu potencial ilimitado / estou vivendo uma vida realizada.”

Que preço que se paga para estar determinada cultura?

Segundo a Gallup e o Boston Consulting Group, ambientes de trabalho felizes são mais lucrativos e a cada 2% de aumento na satisfação dos funcionários, a receita cresce 1%. Segundo a Wharton University e a Warwick University, empresas com funcionários felizes têm AÇÕES que superam a média do mercado e concluíram que funcionários mais felizes impactam positivamente o resultado financeiro das empresas. Segundo o Parnassus Investment e a Gallup, as empresas mais felizes da América ganham mais dinheiro. O Parnassus fundou um fundo chamado de “fundo da felicidade” composto somente de empresas com um ambiente de trabalho diferenciado, que favorece o funcionário. Resultados do Fundo da Felicidade:

  • 2005 a 2013, retorno de 9,63%, comparado ao Índice S&P, que ganhou 5,58%
  • Nos últimos cinco anos – o auge da Grande Recessão – o retorno anual médio foi de 10,81% contra 3,97% do S&P (uma diferença de 6,84%)
  • Quando você tem um local de trabalho satisfeito, as pessoas estão dispostas a fazer mais esforços para melhorar as operações em momentos realmente difíceis

Nunca é tarde demais! Toda mudança por mais complexa que seja, começa sempre com o primeiro passo. O mundo está cheio de histórias de empresas que deram a volta por cima mesmo diante de imensos desafios e renasceram mais fortes do que antes.

4 comentários em “Liderança no Mundo 4.0

Adicione o seu

Deixe uma resposta para J. Lima studio Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: