A jornada entre sobreviver e prosperar

Fonte: Pesquisa da MIT Technology Review Insights em parceria com Oracle com 297 executivos, novembro de 2020

Quando a pandemia fez o mundo virar de cabeça para baixo em 2020, a maioria das organizações respondeu na forma de sobrevivência, e de maneira instável algumas vezes.

Os executivos analisaram o impacto nas operações e lidaram com as emergências imediatas.

Agora, as empresas estão prontas para ir além da resiliência e da recuperação e acelerar o crescimento.

Os executivos devem certamente focar no futuro e aproveitar as tecnologias emergentes. “Você tem que evoluir para ter sucesso,” explica Scott Brown, vice-presidente sênior na Mouser Electronics.

A boa notícia: quase todos se sentem otimistas.

As organizações estão prontas para investir em ideias inovadoras para revigorar suas operações. E elas estão agindo.

Depois de um semestre de recessão econômica e restrições governamentais geradas pela pandemia de 2020, as organizações estão otimistas e prontas para seguir em frente com esforços inovadores para gerar crescimento dos negócios.

  • 80% dos executivos relatam que suas organizações estão planejando grandes mudanças, como aquisição ou alienação de uma empresa, lançamento de um novo modelo de negócio ou implementação de automação por toda a empresa.

Diversas barreiras permanecem, incluindo orçamentos congelados, tecnologia ou competências limitadas e processos fragmentados de conformidade e gerenciamento de risco.

A pandemia desafiou todas as empresas em 2020. Ela colocou à prova cada elemento dos fluxos de trabalho e mudou totalmente seus processos de planejamento.

É mais provável que as grandes mudanças sejam empreendidas por organizações maiores; 87% das empresas com mais de US$ 1 bilhão em receita têm planos, em comparação com 76% das empresas de menor tamanho.

As empresas com as expectativas mais otimistas – prosperar ou transformar – já tomaram as medidas necessárias para torná-las realidade.

  • 44% das empresas que esperam prosperar em 2021 estão planejando uma grande mudança nos próximos três anos;
  • 39% das empresas orquestrando uma transformação de negócios já começaram.

A maioria dos executivos está otimista em relação ao futuro de suas empresas. Poucos estão adiando qualquer tipo de mudança para os próximos 18 meses ou colocando tudo em espera até que a situação mude.

No geral, 47% esperam que os seus negócios prosperem em 2021, 36% esperam que as suas organizações se transformem, e apenas 12% estão se preparando para um ano sombrio de sobrevivência.

Neste documento, “prosperar” é caracterizado como uma continuação bem-sucedida de um modelo de negócio existente.

Considere um fabricante de mesas de trabalho – há uma boa chance de que ele esteja vendendo muito mais com o aumento de funcionários que agora trabalham em casa.

Compare isso com “transformar”, ou fazer mudanças significativas. – Isso pode incluir repensar a forma como uma empresa vende aos clientes ou adicionar uma nova linha de produtos.

Os objetivos de 2021 variam de acordo com o tamanho da empresa de certo modo. Pequenos ajustes, como renegociar contratos de suprimentos ou requalificando funcionários deslocados.

Mas muitas empresas usaram a pandemia como uma oportunidade para reavaliar seus negócios.

Que partes podem ter êxito do jeito que são?

Quais precisam de um redirecionamento?

Quais devem ser eliminadas?

Onde estão as áreas inexploradas de crescimento?

Independente de suas conclusões, os executivos estão tomando ações. Estas não são normalmente mudanças pequenas. Por exemplo, alguns no setor de varejo encontraram rapidamente formas de manter o negócio forte enquanto as lojas estavam fechadas – fortalecendo suas estruturas de ecommerce e tornando mais fácil para os clientes comprarem online ou retirarem suas compras sem contato na loja.

O setor de café fez mudanças em toda sua cadeia de suprimentos, da colheita à cafeteria local, apesar da incerteza de demanda.

Apenas 17% das organizações do tipo “espero sobreviver a 2021” têm grandes iniciativas planejadas – provavelmente apenas as mudanças tecnológicas ou operacionais necessárias para manter as portas abertas.

É fácil relacionar tudo à pandemia nos dias de hoje, mas a crise atual está exacerbando os problemas existentes, acelerando as tendências atuais e exigindo uma colaboração mais abrangente para ter êxito.

Por exemplo, normalmente são necessários cerca de 10 anos para desenvolver uma vacina, aponta Marc Horn, chefe de controle de ciências da vida na Millipore Sigma, que fornece produtos utilizados por empresas biofarmacêuticas para fabricar vacinas candidatas para a COVID-19. O papel de Horn é fornecer apoio a decisões financeiras sobre planejamento e execução operacionais e estratégicos. Devido à crise, o mundo buscou desenvolver uma vacina em apenas um ano e pouco, e isso levou a Millipore Sigma a acelerar o processo fora do laboratório. A empresa teve que pensar sobre como poderia ajudar seus clientes no setor de saúde e alocar os recursos financeiros para realizar e oferecer essas mudanças em um ritmo mais rápido do que o habitual. “E isso significa para nós, internamente, que você tem que ter uma constante interação com os departamentos, mas especialmente com a cadeia de suprimentos e o RH, para estabelecer novas formas de trabalho“.

Muitas grandes mudanças feitas por organizações de médio porte são relacionadas à tecnologia, metade, por exemplo, planejada para aumentar os investimentos em tecnologia, e mais de um terço está adotando serviços adicionais em nuvem.

Para muitas empresas, a adoção de tecnologia não é simplesmente um fator capacitador, é a espinha dorsal de seus negócios. Por exemplo, quando a fabricante John Deere avalia a qualidade de uma peça de trator feita por um fornecedor externo, a empresa está ciente de que a peça será usada em regiões diferentes de onde é fornecida. A tecnologia pode automatizar processos relevantes para ajudar a tomar decisões de qualidade com rapidez e precisão, diz Ritu Raj, diretor de engenharia corporativa da John Deere. Ela possibilita conectar departamentos por toda a organização mundial e colocar a peça em produção rapidamente. “Se automatizamos o processo, os controles e equilíbrios são incorporados através da tecnologia, e as equipes têm as informações para tomar decisões de maneira muito rápida”, ele diz.

Sem estes sistemas tecnológicos, o processo todo pode enfrentar erros que geram um atraso.

Uma forma de reagir a estes novos ambientes de negócio é adotar ou mesmo inventar novos modelos de negócio.

Nem sempre as empresas têm escolha, como os cinemas e o setor hoteleiro descobriram. Organizações inteligentes estão sempre buscando novas maneiras de gerar receita; na pesquisa, quatro em cada cinco empresas com planos para 2021 estão avaliando novos modelos de negócio.

Há muitas maneiras de se fazer isso, com redução de custos, mudanças no processo de vendas e priorização de novos mercados.

Estas orientações são significativas para as empresas de todos os tamanhos pelo mundo, mas há alguns destaques.

• Para as maiores organizações, as mudanças de modelo de negócio que são mais atrativas são aquelas que geram projetos de redução de custos.

• As empresas da região Ásia-Pacífico também são mais entusiasmadas em mudar como os produtos e serviços são vendidos.

• Menos da metade (46%) das empresas buscando “sobreviver” em 2021 verá grandes mudanças nos próximos 36 meses – mais da metade delas está completando projetos que foram iniciados antes da pandemia.

Para as empresas que estão apenas sobrevivendo, grandes mudanças foram suspensas indefinidamente. Quando elas consideram algum ajuste no modelo de negócio, as opções são principalmente aquelas que ajudam a conter custos (55%).

Há também variações por setor. Por exemplo, as empresas de manufatura podem ser lentas em relação a novas tecnologias, diz John Barcus, vice-presidente do grupo estratégico do setor na Oracle.

Na sequência de um ano de ruptura, as organizações estão planejando reduzir custos, lançar novos produtos e serviços e redesignar recursos.

GERAR PROJETOS DE REDUÇÃO DE CUSTOS 53%

MUDAR COMO OS PRODUTOS/ SERVIÇOS SÃO VENDIDOS 52%

MUDAR PARA NOVOS MERCADOS 50%

REALOCAR RECURSOS 44%

ADAPTAR UM PRODUTO EXISTENTE

LANÇAR UM NOVO MODELO “COMO SERVIÇO”

OFERECER MELHORES EXPERIÊNCIAS DO CLIENTE

“Muitas empresas de manufatura vêm fazendo o mesmo por muitos anos. E elas desejam e esperam fazer do mesmo jeito no futuro, acreditando que ‘se funcionou pra mim no passado, continuará funcionando pra mim amanhã’”. Mas, Marcus acrescenta, o clima atual está forçando-as a explorar novas opções, como a adoção de IA e automação.

“A chave para nós é equilibrar o foco operacional e o pensamento estratégico de longo prazo”, diz David Liu, diretor de estratégia corporativa da Aptiv, uma empresa global de peças automotivas. A empresa está focada em tendências no setor automotivo, como segurança, sustentabilidade e tecnologia conectada. Ela também está prestando atenção à situação como um todo, apesar das incertezas e obstáculos de curto prazo do mercado. “A pandemia acelerou nosso pensamento corporativo sobre fazer grandes mudanças, deu oportunidades para diversificar ainda mais nosso modelo de negócio e expandir para novas áreas de tecnologia”, diz Liu.

Cada plano tem barreiras para o sucesso. Como já esperado, o maior obstáculo para grandes mudanças organizacionais é em relação ao orçamento (39%).

Outras preocupações incluem questões de segurança, riscos e conformidade (18%) e a falta de competências e processos (17%).

Para qualquer grande esquema, obter o financiamento necessário requer colaboração de todo o nível executivo.

O que impede as grandes mudanças de negócio

Na pesquisa, apenas 29% das empresas com mais de US$ 1 bilhão em receita citam um orçamento limitado ou congelado como o principal obstáculo para fazer uma grande mudança; mas 44% das organizações de médio porte são impedidas por razões financeiras.

De acordo com uma pesquisa da PwC, mesmo antes da pandemia, três em cada quatro CFOs estavam preocupados com a falta de competências que poderia prejudicar sua habilidade de prosperar.

As incertezas existentes trazem à tona a necessidade de uma cultura mais inteligente de gerenciamento de riscos, particularmente para organizações que estão embarcando em grandes mudanças no mundo todo.

Estes riscos levaram as empresas a repensar sobre onde suas peças e componentes são feitos, e a considerar escolher locais mais próximos de seus clientes. “E esta certeza se amplificou por causa da pandemia”, acrescenta. Fusões e aquisições são outros tipos de grandes mudanças que têm seus riscos.

Um futuro inovador

Em tempos de ruptura, investir em mudar os modelos de negócio pode aumentar a participação de mercado. Isto pede uma colaboração na empresa inteira – os executivos de negócio devem trabalhar com os executivos financeiros que, por sua vez, trabalham com seus gerentes de cadeia de suprimentos para entender onde suas vulnerabilidades estão – e onde as mudanças fazem sentido: novas linhas de produto, por exemplo, serviços de assinatura ou plataformas digitais.

A tecnologia em nuvem está facilitando a realização destes objetivos, e potencializando o crescimento do negócio – esta é a afirmação de quatro em cada cinco líderes empresariais na pesquisa que estão fazendo grandes mudanças.

A tecnologia pode ajudar a planejar e modelar a mudança, direcionar os modelos de negócio, recursos e talentos para a próxima oportunidade de crescimento, e colocar em ação novas fontes de receita rapidamente.

 “Este foi um momento para muitas organizações refletirem, se reagruparem e se restabelecerem através da reconstrução – um momento de seguir adiante ao invés de olhar para trás,” diz Marie Gould Harper, reitora da Escola de Negócios da American Public University System. “Sim, há a oportunidade de olhar para o passado para ver os aprendizados, mas agora é o momento de focar nos próximos passos”.

É certamente um momento inquieto. Mas está claro que a maioria das organizações o veem como uma oportunidade para repensar onde querem estar e desenvolver seu negócio para abordar novos objetivos.

© Copyright MIT Technology Review Insights, 2021. Todos os direitos reservados.

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